sábado, 13 de setembro de 2014

O HOMEM IMORTAL

                                                   O HOMEM IMORTAL

                      Desde tempos idos que se tem conhecimento da intenção do homem em descobrir algo que lhe desse a imortalidade.
                      Surgiram pessoas que se empreenderam no famoso “elixir da juventude”, e outras na descoberta da “fonte da juventude”; todas fracassaram.
                      Hoje, numa suposição, um cientista descobre um produto que realmente dá a imortalidade ao homem.
                      Ele como quase todos os homens de nossa época, que não é besta, patenteia a descoberta, e guarda a sete chaves, pensando no que vai fazer com a grande descoberta. 
                      Homens ricos sabendo da descoberta investem na compra do produto para uso pessoal, mas não lograram êxito.
                      Desses homens ricos seis se conhecem e se unem para elaborar uma estratégia na intenção de conseguirem o produto, e logicamente os seis se beneficiarem.
                      Enfim, os seis conseguem o produto com a respectiva patente. Mas, para tal empreendimento os seis investiram todas as suas riquezas, tendo o seguinte pensamento: “nós estamos na faixa dos 50 anos de idade, ricos, todavia estamos entrando na velhice, e como tudo é risco, vamos investir neste produto que nos dará a juventude, se dermos bem readquirimos tudo com o tempo”.
                      Realmente seus investimentos deram resultados positivos, pois quando chegaram aos 60 anos de idade perceberam que tinham o viço de um homem de 30 anos de idade.
                     Disseram o mundo é o limite, e partiram cada um do seu lado a procura de realizar suas ambições.
                     Chegaram aos 100 anos de idade, e viram que estavam mais ricos do que quando tinham 50 anos, com uma condição a mais, ainda continuavam como um homem de 30 anos de idade.
                     Investem mais ainda, e com 150 anos percebem que estavam milionários, continuam investindo cada vez mais, sem limites para suas ambições pessoais, sem ver nado no mundo a não serem seus progressos pessoais. Ao topo do mundo diziam.
                     Chegam aos 200 anos e percebem que são os donos do mundo, porém um deles, numa noite silenciosa, solitário, em sua mansão, pensando no sucesso de tudo que conseguiu sente um vazio profundo.
                     Diz para si: “como posso sentir esse vazio profundo se sou um homem realizado, tenho tudo que queria é só estalar um dedo e tudo acontece em minha volta, com algo mais, sou imortal, o que está acontecendo comigo? Pensava.
                      Aí vem o famoso balanço da vida, e percebe que está só. Seus amigos de infância há muito tinham morridos, já tinha perdido o contato com eles já na época do empreendimento da grande jornada ambiciosa. Hoje, já estava na 4ª ou 5ª geração dos amigos, e tudo era estranho, esses descendentes eram estranhos, desconhecidos, sem qualquer laço, aliás, a 4ª e 5ª geração dos amigos nem tinham idéia dos seus próprios bisavós.
                      Imediatamente marca uma reunião importante com os outros 5 imortais, que aconteceria em todo fim de semana próximo.
                     Reunião formada, o homem do sentimento acima, conta a sua última experiência aos outros. Quando acabou de contá-la, houve um grande silêncio, depois de algum tempo outro homem rompe o silêncio contando o seguinte: “Eu no momento da experiência com o produto, resolvi arregaçar as mangas, e mãos a obra para conseguir todo meu intento”. Logo sua mulher faleceu, onde distanciou um pouco dos seus filhos para seguir seu ideal, que por sua vez os filhos seguiram seus ideais também, morreram, os netos morreram também, os bisnetos seguiram a mesma fase cronológica e há um ano descobriu também, que seus descendentes são estranhos.
                      Outro conta uma estória semelhante, só com um pequeno detalhe, as pessoas da 5ª e 6ª geração, quando se aproximavam dele, percebeu que essa aproximação era interesseira, todos só queriam se dar bem numa amizade com um milionário. Também se distanciou de todos sentido só no mundo. 
                      Depois outro conta sua situação psicológica. Disse: “eu me sinto um peixe fora d’água, pois aquele mundo da nossa infância, da nossa adolescência, etc., não mais existe, e sinto uma profunda saudade daquela época, tudo mudou, mudou muito, e deixou minha alma apreensiva, insatisfeita, apesar do grande poder que tenho na sociedade.
                     Foi um fim de semana de muita conversa relatos de experiência vivida, e muito momento de isolamento e um silencio profundo, pessoal, intenso, pois depois de cada relato acontecia uma dispersão automática, e cada um saia para um lado meditando isoladamente.
                     No último dia, domingo, no crepúsculo da tarde, eles fazem um banquete de tudo do melhor que o mundo pode oferecer, comeram, beberam, e conversava muito pouca. Mas, estavam muito atentos ao momento, aí surgiu aquele vazio de então, profundo, muito profundo, desta vez coletivo, agora era os seis ao mesmo tempo, se olharam e perceberam que estão com o mesmo sentimento, silenciosamente param de beber e comer, e no âmago de suas almas pensam: como seria bom morrer.

        Walter Moraes                      

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