O HOMEM IMORTAL
Desde tempos idos que se
tem conhecimento da intenção do homem em descobrir algo que lhe desse a
imortalidade.
Surgiram pessoas que se
empreenderam no famoso “elixir da juventude”, e outras na descoberta da “fonte
da juventude”; todas fracassaram.
Hoje, numa suposição, um
cientista descobre um produto que realmente dá a imortalidade ao homem.
Ele como quase todos os
homens de nossa época, que não é besta, patenteia a descoberta, e guarda a sete
chaves, pensando no que vai fazer com a grande descoberta.
Homens ricos sabendo da
descoberta investem na compra do produto para uso pessoal, mas não lograram
êxito.
Desses homens ricos seis
se conhecem e se unem para elaborar uma estratégia na intenção de conseguirem o
produto, e logicamente os seis se beneficiarem.
Enfim, os seis conseguem
o produto com a respectiva patente. Mas, para tal empreendimento os seis
investiram todas as suas riquezas, tendo o seguinte pensamento: “nós estamos na
faixa dos 50 anos de idade, ricos, todavia estamos entrando na velhice, e como
tudo é risco, vamos investir neste produto que nos dará a juventude, se dermos
bem readquirimos tudo com o tempo”.
Realmente seus
investimentos deram resultados positivos, pois quando chegaram aos 60 anos de
idade perceberam que tinham o viço de um homem de 30 anos de idade.
Disseram o mundo é o
limite, e partiram cada um do seu lado a procura de realizar suas ambições.
Chegaram aos 100 anos de
idade, e viram que estavam mais ricos do que quando tinham 50 anos, com uma condição
a mais, ainda continuavam como um homem de 30 anos de idade.
Investem mais ainda, e com
150 anos percebem que estavam milionários, continuam investindo cada vez mais,
sem limites para suas ambições pessoais, sem ver nado no mundo a não serem seus
progressos pessoais. Ao topo do mundo diziam.
Chegam aos 200 anos e
percebem que são os donos do mundo, porém um deles, numa noite silenciosa,
solitário, em sua mansão, pensando no sucesso de tudo que conseguiu sente um
vazio profundo.
Diz para si: “como posso
sentir esse vazio profundo se sou um homem realizado, tenho tudo que queria é
só estalar um dedo e tudo acontece em minha volta, com algo mais, sou imortal,
o que está acontecendo comigo? Pensava.
Aí vem o famoso balanço
da vida, e percebe que está só. Seus amigos de infância há muito tinham
morridos, já tinha perdido o contato com eles já na época do empreendimento da
grande jornada ambiciosa. Hoje, já estava na 4ª ou 5ª geração dos amigos, e
tudo era estranho, esses descendentes eram estranhos, desconhecidos, sem
qualquer laço, aliás, a 4ª e 5ª geração dos amigos nem tinham idéia dos seus
próprios bisavós.
Imediatamente marca uma
reunião importante com os outros 5 imortais, que aconteceria em todo fim de
semana próximo.
Reunião formada, o homem
do sentimento acima, conta a sua última experiência aos outros. Quando acabou
de contá-la, houve um grande silêncio, depois de algum tempo outro homem rompe
o silêncio contando o seguinte: “Eu no momento da experiência com o produto,
resolvi arregaçar as mangas, e mãos a obra para conseguir todo meu intento”.
Logo sua mulher faleceu, onde distanciou um pouco dos seus filhos para seguir
seu ideal, que por sua vez os filhos seguiram seus ideais também, morreram, os
netos morreram também, os bisnetos seguiram a mesma fase cronológica e há um
ano descobriu também, que seus descendentes são estranhos.
Outro conta uma estória
semelhante, só com um pequeno detalhe, as pessoas da 5ª e 6ª geração, quando se
aproximavam dele, percebeu que essa aproximação era interesseira, todos só
queriam se dar bem numa amizade com um milionário. Também se distanciou de
todos sentido só no mundo.
Depois outro conta sua
situação psicológica. Disse: “eu me sinto um peixe fora d’água, pois aquele
mundo da nossa infância, da nossa adolescência, etc., não mais existe, e sinto
uma profunda saudade daquela época, tudo mudou, mudou muito, e deixou minha
alma apreensiva, insatisfeita, apesar do grande poder que tenho na sociedade.
Foi um fim de semana de
muita conversa relatos de experiência vivida, e muito momento de isolamento e
um silencio profundo, pessoal, intenso, pois depois de cada relato acontecia uma
dispersão automática, e cada um saia para um lado meditando isoladamente.
No último dia, domingo, no
crepúsculo da tarde, eles fazem um banquete de tudo do melhor que o mundo pode
oferecer, comeram, beberam, e conversava muito pouca. Mas, estavam muito
atentos ao momento, aí surgiu aquele vazio de então, profundo, muito profundo,
desta vez coletivo, agora era os seis ao mesmo tempo, se olharam e perceberam
que estão com o mesmo sentimento, silenciosamente param de beber e comer, e no
âmago de suas almas pensam: como seria bom morrer.
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